
Entrevista revista Purple Sky

Apesar da imagem deles de aristocratas franceses do século XVIII te prender facilmente, não deixe que as rendas e babados e o amor por rosas enganem você. Versailles é uma banda que se importa profundamente com sua música. Detrás de seu elegante e gótico exterior, a banda dedica-se a se destacar sonoramente combinando seus vários talentos com anos de experiência na música com outras bandas. O resultado é uma nova banda promissora com grandes expectativas para o futuro dentro e fora do Japão.
Mesmo que seu debut como uma banda tenha sido em junho deste ano, os membros não são novatos. Com dois fortes líderes, Kamijo (ex-Lareine) nos vocais e Hizaki (HIZAKI grace project) na guitarra, o Versailles comanda uma forte presença. O grupo é completo pelo sempre simpático Teru na guitarra, o elegante Jasmine You no baixo, e o silenciosamente misterioso Yuki na bateria. Além disso, a banda tem conhecimento e habilidades para promover o que eles consideram a forma ideal de expressão musical: Versailles pop. Nós tivemos a chance de sentar com o Versailles para uma entrevista sincera e intensa, não apenas sobre a banda e seu futuro no exterior, mas também sobre a indústria do visual kei, emoção humana, e até um pouco de mágica.
Purple Sky (PS): Primeiramente, muito obrigada a todos por virem até aqui e se encontrarem conosco. Eu sei que vocês têm agendas apertadas e eu realmente agradeço.
Todos: O prazer é nosso.
PS: Vocês poderiam dizer algumas palavras sobre como se sentem em relação ao novo álbum?
Kamijo (K): Mesmo sendo nosso primeiro álbum, nós colocamos nossas almas e muito trabalho nele.
PS: Realmente dá pra perceber que vocês colocaram seus corações e almas nele. Há mais alguma coisa que vocês possam dizer sobre ele?
Todos: (Risos)
Hizaki (H): É um ótimo começo mesmo sendo nosso primeiro álbum. Nós trabalhamos duro.
Jasmine You (J): Nós começamos lançando um DVD e então colocamos tudo junto em uma compilação. Agora estamos lançando um novo álbum.
PS: É o processo típico, lançar nessa ordem?
K: Nós começamos com um DVD porque as pessoas usam os olhos e outros sentidos, certo? Lançar desse jeito é algo único que resolvemos fazer.
PS: Vocês são todos veteranos no visual kei. Por exemplo, Kamijo, você estava no muito famoso Lareine. Como você juntou essas experiências anteriores em outras bandas para formar o Versailles?
K: Ano passado, Hizaki e eu começamos a pensar sobre essa banda e unimos os membros finais. Agora que nós estamos juntos eu acho que nós temos uma banda melhor que antes. Eu acho que esses são os melhores membros de qualquer banda que qualquer um de nós já teve.
PS: Por que escolheram chamar a banda de Versailles?
Todos: (Olham para Hizaki)
H: O nome Versailles estava lá no começo. Nós começamos a nos chamar assim e, à medida que o processo musical continuava, nós apenas nos acostumamos. É realmente o único nome que nós conseguimos pensar. Simplesmente combina.
PS: Isso é muito poético.
H: (Risos)
PS: Vamos falar um pouco sobre o novo álbum. Lyrical Sympathy possui instrumentos de corda, piano e até instrumentos de sopro. Eu estava me perguntando se algum de vocês tem treino clássico.
K: Nós realmente temos interesse em música clássica. Hizaki e eu somos os amantes de música clássica. Minha avó e minha mãe tocavam teclado, então eu já tinha influência de lá. Essa é a razão de eu ter interesse em música clássica.
PS: Mais alguém?
Yuki (Y): Eu sou um amante de hardcore rock.
J: Eu sou um mágico, na verdade.
PS: Pode nos mostrar um truque?
J: Bem, eu não preparei nada, mas... (Jasmine You faz um pequeno truque que envolve jogar um elastiquinho de um dedo para o outro).
PS: Oh! Muito bom!
J: Obrigado.
PS: De qualquer modo, Lyrical Sympathy é um álbum realmente emocional. Em que tipo de sentimentos vocês estavam pensando durante o álbum?
K: Eu estava realmente pensando muito sobre as letras. As emoções vieram daí. Enquanto eu estava escrevendo as palavras eu estava pensando sobre que emoções eu queria expressar e que história seria. É sobre amor, o amor que humanos não podem sentir, algo muito além da compreensão humana. E, claro, a solidão que acompanha isso. Todos esses sentimentos naturais, eu reflito profundamente sobre essas coisas.
PS: Sem especificar muito, essas emoções vieram de certas experiências?
K: O que nós sentimos é real. Nós não estamos inventando. Nós apenas criamos o que vemos.
PS: Então são letras muito genuínas. Muitas pessoas podem se identificar com elas.
K: Basicamente, nós queremos que as pessoas entendam, mas não queremos pedir mais que isso. Eu não quero que as pessoas pensem que sou egoísta. Sim, é melhor para as pessoas entenderem as letras.
PS: Eu gostaria de perguntar sobre suas influências musicais. Nós já falamos sobre suas influências clássicas, mas e quanto ao mundo do rock?
K: Eu me inspirei muito em trilhas sonoras de filmes. Como Paul Mariat e John Williams.
Y: Eu gosto muito de Dream Theater.
Teru (T): Quanto a mim, eu gosto muito de melodic metal.
PS: Eu posso ouvir muito isso em sua música.
T: Oh? Obrigado. E também, gosto muito de symphonic metal.
PS: Como vocês incorporam todas essas influências em suas músicas? Vocês sentem que suas experiências de ouvir música os ajudam a criar música?
K: Bem, eu tenho ouvido John Williams minha vida inteira. Minha música é na verdade baseada nisso também. Quando nós incorporamos todos esses estilos diferentes, é nisso que resulta.
Y: Eu trabalhei com muitas bandas diferentes e essas experiências têm sido minhas influências. Minha música é construída a partir delas.
H: Enquanto nós estamos fazendo música, eu me concentro nas técnicas que aprendi ao longo dos anos. Eu gosto de dizer que ganhei experiência através deles. Eu tenho basicamente seguido esse método.
K: Mas eu não serei influenciado por nenhum artista que possa ser meu rival. Pelo contrário, eu gostaria de influenciá-los.
PS: Hizaki, você ainda está lançando material solo, certo? Como você equilibra os dois projetos, a banda e a carreira solo?
H: Sim, ainda estou fazendo trabalho solo. Bem, primeiramente, eu o faço porque estou tentando melhorar minhas habilidades. Eu me concentrarei no Versailles mesmo lançando um mini-álbum no fim de fevereiro.
PS: Eu gostaria de falar um pouco sobre a cena power metal no Japão. Teru, você mencionou que é fã de melodic e symphonic metal, que estão relacionados com power metal. Mas parece que o power metal não é tão popular no Japão como, digamos, na Europa. Por causa disso, vocês acham que considerariam tocar na Europa?
K: Na verdade, nós estamos sempre olhando em direção ao mundo todo. Eu acho que nossas músicas serão bem recebidas em todo o mundo. Não é tão “power metal” porque é “Versailles metal”. (risos)
H: Nós já estamos considerando tocar pelo mundo.
PS: Então isso significa que há planos de tocar no exterior?
K: Bem, nós esperamos ir a países estrangeiros. O Japão tem quatro estações, certo? Primavera, verão, outono e inverno. Estamos olhando a primavera.
PS: Eu ouvi que o Texas é agradável na primavera.
K: Sim, o Japão também (risos). Nós tocaremos no Texas em maio.
PS: Os fãs americanos ficarão bem contentes.
K: Nós planejamos comer muito enquanto usamos aqueles chapéus. Aqueles enormes.
PS: Os chapéus ten-gallon (chapéus de cowboy com abas largas e um ‘topo’ alto e redondo)? Além da imagem texana, como vocês descreveriam a aparência dos seus PVs e o modo como se vestem?
K: Eu quero que o público decida o que a imagem é. Eu quero que o público tente descobrir o que estamos mostrando.
PS: Pessoas familiarizadas com o seu estilo diriam que é visual kei misturado com a aparência de um aristocrata francês. Vocês acham que a imagem está apenas enraizada no gênero? O que a imagem significa para vocês?
K: Todos na banda criaram a mesma imagem ao mesmo tempo. Nós criamos nossas roupas individualmente.
PS: Então vocês fazem música e design?
J: Sim, fazemos.
PS: Isso é muito impressionante. Agora se eu puder, gostaria de comparar seu tipo de música e o modo como se encaixa com a imagem do gênero. Se você olhar o gênero metal na Europa, é realmente popular ter essa imagem de fantasia hiper-masculina: couro, spikes, rebites. No Japão, parece ser mais sobre elegância. É esse o tipo de diferença que vocês querem fazer?
K: A principal diferença é definitivamente os vocais.
Y: É melhor não pensar na palavra “metal”. Há muitos gêneros diferentes.
K: É, não podemos olhar muito para o gênero. Gosto de pensar na nossa música como “Versailles pop”. Há mais sobre ele que apenas metal, em termos de música.
J: Tudo no visual kei, comparado ao metal europeu, deve ser lindo. Essa é a principal diferença.
T: Essa é a imagem popular, em termos de metal e visual kei.
K: Artistas japoneses não precisam contar com os designs da capa do CD. Aqueles outros gostam de sair mostrando suas roupas. Mas nós mostramos mais o que há por dentro do que o que há por fora.
PS: Vocês acham que a imagem bela é uma vantagem sobre bandas européias? Isso faz com que vocês se destaquem?
K: Nós esperamos que as pessoas prestem mais atenção à música que à nossa imagem.
PS: Então é qualidade musical em vez de quantidade visual?
K: Não exatamente. A coisa mais importante é Versailles.
Todos: (Risos)
PS: Eu também penso assim. Falando de exterior, vocês acham que estão conquistando popularidade com fãs europeus e americanos de power metal? Como vocês se sentem sobre isso?
K: Bem, hmm. Nós estamos felizes que eles podem ver além de metal europeu.
PS: Como vocês acham que o público americano vai recebê-los? O visual kei está conquistando popularidade graças a outras bandas que fizeram turnês pelos Estados Unidos. Sua música parece ser levemente diferente da deles, então como vocês acham que afetará os fãs americanos?
K: Nós só queremos que todos os fãs sejam inspirados por nós. Não pedimos muito mais do que isso.
PS: Já que outras bandas japonesas tocaram nos EUA, que tipo de expectativas vocês têm sobre ir pra lá?
T: Nós queremos um tipo de tapete vermelho quando chegarmos no local do show.
PS: Bem, verei o que posso fazer.
K: E rosas espalhadas no tapete.
PS: Deixando isso de lado, como vocês decidiram tocar nos Estados Unidos?
K: Eu na verdade fui à América uma vez antes, sozinho, para uma convenção. Mas agora eu fui convidado com uma ótima banda, estou muito feliz por poder ir pra lá.
PS: Pode nos contar sobre sua experiência nos EUA?
K: Foi uma experiência muito interessante. No meio do público, tinha alguém com uma calcinha na cabeça (!!!). É esse tipo de coisa que não quero muito (risos).
PS: Me desculpe. Nós americanos somos estranhos.
Todos: (Risos)
PS: Quais são seus planos para o ano novo?
K: Só show. Faremos um show no distrito de Kabuki.
PS: Vocês têm algum conselho para aqueles que querem começar suas próprias bandas?
K: Conselho?
PS: Qualquer coisa.
Y: Trabalhe, trabalhe, e pratique.
T: Descanse.
PS: Isso é chato. Diga algo mais emocionante.
T: O quê? Ok. Faça festa!!
PS: O que vocês querem de Natal?
J: Um Cadillac novo.
PS: Você é um grande fã de carros? Você já tem um Cadillac? Que tipo?
J: Sim, mas é segredo.
Y: Eu quero muitas bebidas alcoólicas e bastante tempo para beber.
PS: Por favor, experimente bebidas americanas quando você for pra lá.
H: Algo para todos.
T: Dormir.
PS: Depois de um grande lançamento, vocês devem dormir. Só por favor, não durmam durante os shows.
K: América.
PS: Isso pode ser arranjado.
Créditos:
xnightmarexfaeriex
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